Os consoles vão morrer?

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Tecnicamente, o que são os consoles de mesa além de uma máquina dedicada, com OS simplificado, otimizado para rodar softwares de jogos, dispondo de controles?

Nada, talvez. O que diferencia um console de um computador pessoal é o fato de que um console se trata de um computador de arquitetura necessariamente fechada (mas ainda passível de expansão, como HD externos, ou os antigos expansions paks na época do N64). Computadores suportam controles, inclusive os mesmos dos consoles, seja PS3 ou Xbox. Até o Wiimote pode ser utilizado no PC (dá um pouco mais de trabalho, mas pode). Computadores rodam jogos multiplataforma, emulam OS de outros consoles mais antigos, ou sejam, fazem exatamente TUDO que um console não faz.

Entretanto o PC nunca foi ameaça dos consoles. Há vantagens para se ter console, como a praticidade de instalação, desnecessidade de atualização pra rodar jogos mais novos, garantia de que os jogos lançados funcionarão com configurações máximas e os exclusivos, é claro.

David Perry, presidente da Gaikai, serviço de jogos online similar ao Onlive, acredita entretanto que os consoles irão acabar. Em recente parceria com a LG, as novas TVs da marca já virão com o serviço Gaikai embutido. Isso significa dizer que bastará sua TV pra rodar jogos, sendo requerido uma conexão com internet de banda larga.

Em apresentação recente, o presidente da Gaikai compartilha sua visão de que num futuro os jogos serão todos comercializados via nuvem, a ideologia por trás do Onlive e Gaikai. De maneira bem simplificada, o serviço é igual ao Netflix, mas ao invés de filmes, jogos. Você escolhe o jogo na interface do Gaikai e os servidores da empresa começam a rodar e fazer o stream do vídeo do jogo, em tempo real enquanto você interage.

Recentes avanços nos testes e pesquisas desse segmento determinaram que falta muito pouco pra eliminar o delay ainda existente quando se usa o serviço. Perry explica que a culpa ainda é das próprias TVs, que ainda não foram trabalhadas para funcionar na velocidade dos jogos, recebendo material via cabo ethernet. Estamos falando aqui de milissegundos de delay (70-90 milissegundos) o que é um incômodo quando se fala de precisão em jogos. Não só a LG, como todas as grandes fabricantes de TV estão investindo para eliminar esta limitação e abrir as portas para a oferta de serviços de jogos por stream, bem como de filmes, fora a inclusão de redes sociais integradas.

Perry acredita que em 2013 as TVs já terão eliminado essa barreira, e com a rede 4G se tornando uma realidade lá fora (No Brasil nossa 4G será meramente uma 3G de verdade) o serviço tenderá a substituir os consoles, uma vez que eles serão desnecessários, do ponto de vista técnico.

Alguns contrapontos que podemos suscitar: E se a internet cair, ficar instável, ou seja lá qual for o problema? Já era. Se quisermos levar o videogame pra casa de um amigo, teremos de levar a TV, ao invés disso. Se for de 22”, vá lá, mas se for uma de 42” ou mais? Inconveniente. E os exclusivos?

Perry sustenta, quanto a esta última questão, que as parcerias com outros fabricantes tenderão a se popularizar. Se mais de 50 tipos de aparelhos diferentes puderem rodar o seu jogo, sem a necessidade de portar para plataformas diferentes, por que uma empresa assinaria contrato de exclusividade? Mas mesmo essa resposta não alcança títulos first party da Nintendo e Sony, apesar da Sony ter lançado alguns de seus produtos no Steam, o que ainda mantém o público fiel das empresas ligados a elas.

Temos de lembrar também, que o presidente da Gaikai vive em outro país, outra realidade. Ele acredita piamente numa visão que se encaixa no padrão de vida de seu país e de outros países desenvolvidos. Querer esticar para o Brasil é um pouco forçado, principalmente porque ainda lutamos para a legislação deixar de considerar jogos eletrônicos como jogos de azar e “conteúdo do demônio”, como sustenta a bancada evangélica no plenário.

Óbvio que Perry está puxando a sardinha pro seu lado e querendo vender seu peixe. Com a popularização que se espera das TVs interativas (ainda não é uma realidade, diga-se de passagem) é possível que diversos usuários, principalmente o público mais casual seja atraído sim para a facilidade. Com a simplicidade de iniciar um jogo com poucos cliques (sem download, sem instalação, sem updates…por que não?) quem dirá que o sonho de Perry não será parcialmente realizado?

Com certeza, o fim dos consoles não será. Sony, Microsoft e Nintendo farão o possível para que esta ideologia não se torne popular. E os fãs dos consoles também não aceitarão isso de forma passiva.

Sonha, Perry.

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